Termas de Alcafache
Há referências escritas às Caldas de Alcafache desde 1726 (ver na nossa Biblioteca). O balneário termal é recente: foi construído na margem direita do rio Dão e começou a funcionar em 1962. Actualmente, proporciona serviços de Termalismo Clássico, SPA termal Tradições do Oriente, SPA termal de Vinoterapia e SPA termal de Algoterapia.
Balneário das Termas de Alcafache, na margem direita do rio Dão.
 
O balneário, à esquerda na foto, e a ponte sobre o Dão vistos da margem esquerda do rio.
 
 
As Termas de Alcafache situam-se na povoação do Banho. Esta localidade tem dois núcleos habitacionais ligados por uma ponte de origem romana: um situado na margem esquerda do Dão, que pertence à Freguesia de Alcafache e concelho de Mangualde; outro na margem direita que pertence à Freguesia de S. João de Lourosa e concelho de Viseu. Foi na margem direita que o balneário termal foi construído.

Na margem esquerda do rio Dão, na Freguesia de Alcafache - que dá o nome às Termas - o perímetro de protecção para garantir a disponibilidade e características da água mineral natural utilizada no balneário termal, bem como para garantir condições para uma boa exploração, está definido na portaria 926/2009 (Diário da República, 2ª série, nº 190, de 30 de Setembro de 2009). São cerca de 1 500 000 m2 de território da Freguesia de Alcafache sujeitos a condicionantes em matéria de construções, demolições, sondagens e trabalhos subterrâneos, aterros e desaterros, utilização de adubos orgânicos ou químicos, insecticidas, pesticidas ou outros produtos químicos, despejo de detritos e de desperdícios, lixeiras, esgotos, corte de árvores e arbustos e destruição de plantações.

Na Freguesia de Alcafache a zona alargada de protecção vai do rio Dão a Casal Mendo, numa extensão de cerca de 750 m, e daqui à Quinta das Poldras, ao longo de pouco mais de 2 km.

 
O polígono A-B-C-D delimita a zona alargada de protecção da água mineral. Na Freguesia de Alcafache esta zona vai da margem esquerda do rio Dão a Casal Mendo e à Quinta das Poldras.
 
 
Depois de 1962

O balneário termal foi construído pela concessionária da exploração da água mineral natural, a empresa Termas Sulfurosas de Alcafache SA – criada pelo médico Eduardo Leal de Loureiro (1919-2005), natural da nossa Freguesia -  e começou a funcionar em 1962. Abre de 1 de Março a 31 de Dezembro e este período é dividido em Época Alta, Época Média e Época Baixa, as quais têm preçários diferentes.

Actualmente, o balneário termal proporciona serviços de Termalismo Clássico, SPA termal Tradições do Oriente, SPA termal de Vinoterapia e SPA termal de Algoterapia. Mais informação em Termas de Alcafache.

Onde “nasce” a água quente? E a que temperaturas? E que características? Em Banho de Alcafache  o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) informa sobre o ambiente geológico e controlo geológico-estrutural e apresenta uma análise físico-química destas águas termais.


A ponte de Alcafache em 1927 (in “Termas de Alcafache”, de Eduardo Leal de Loureiro)
 
 
Antes de 1962

Diz-se que as águas termais brotam do rio Dão há mais de 14 000 anos. Em Alcafache no AQUILEGIO MEDICINAL, em Alcafache no DICCIONARIO GEOGRAFICO, em Alcafache na PHARMACOPEA NAVAL E CASTRENSE e em RENSEIGNEMENTS SUR LES EAUXS MINÉRALES PORTUGAISES pode ficar a saber como eram descritas nos séculos XVIII e XIX, mais concretamente nos anos de 1726, 1747, 1819 e 1867.

Na monografia “Termas de Alcafache – Esboço Monográfico – Notas Gerais sobre o Termalismo Português” o médico Eduardo Leal de Loureiro - que desde 1955, depois de ter adquirido a concessão destas águas termais, se dedicou ao seu desenvolvimento, tendo exercido funções de Presidente da Administração da empresa concessionária e de Director Clínico – conta que “em 1989 ao fazerem-se obras de beneficiação das captações em pleno leito do Rio, na zona das nascentes, apareceram em entulhos várias moedas relativamente recentes e uma muito gasta do reinado de D. Manuel I, séc. XVI. Nos finais de 1990, em trabalhos de escavação junto ao Rio para construção do segundo sistema de arrefecimento da água termal, encontrou-se uma pequena moeda romana de bronze bastante corroída por 1600 ou 1700 anos de contacto com a terra. Posteriormente, em 1966, em entulhos, junto ao arco pequeno da ponte apareceram várias moedas dos últimos anos da Monarquia e outras já da República.

O balneário termal começou a funcionar em 1962, como atrás se disse. E antes, como era? Na mesma monografia, Eduardo Leal de Loureiro escreveu:

“O aparecimento da Empresa Concessionária e as mudanças que introduziu na pacatez e nas liberdades tradicionais do uso da água não foi isento de problemas.

“Até então, e muitos clientes actuais mais velhos ainda se recordam disso, a água termal era apanhada em pequena poça com fundo de areia (que o rio cobria com a mais pequena cheia) onde borbulhavam a água e os gases que dela se libertam. Ali se mergulhavam, frequentemente, pés e pernas e, não raramente um frango para depenar. A colheita da água era livre e os banhistas apenas pagavam uma pequena quantia (dois tostões em 1958-60) pelo transporte de cada cântaro de água que os acartadores levavam da nascente para as banheiras colocadas nos quartos de dormir onde se instalavam. Cada banho levava de 8 a 12 cântaros de dez litros conforme as posses ou o tamanho do cliente e da banheira. (…)

“O transporte da água a cântaro prolongou-se, reduzindo-se progressivamente, até terminar de todo só em 1984. Não deixou por isso a água termal de ser conduzida para tomadas de banhos de imersão nos domicílios. O seu transporte passou a fazer-se por canalizações ligadas ao sistema de bombagem do balneário da Concessionária. No auge do transporte a cântaro (1960-65) empregavam-se neste trabalho duas dúzias de mulheres e homens. Era um espectáculo curioso e algo estranho, assistir, alta madrugada, ao corropio desta gente. Pareciam alegres e infatigáveis, mas o esforço era grande e os tostões somados, cântaro a cântaro, eram bem ganhos e suados. Continuam alguns deles a ganhar a sua vida na Estância, agora em serviços mais leves e com melhor paga.

“Quando em 1957 a Empresa Concessionária começou obras e introduziu regras e custos para utilização da água medicinal, tanto os clientes, como os proprietários locais  e beneficiários da primitividade e liberdade existentes, ficaram alarmados com a mudança. Julgaram que a Empresa lhes vinha apenas impor despesas e disciplina. Cedo, porém, todos verificaram que as iniciativas e melhoramentos feitos pela Empresa, longe de os prejudicar, vieram trazer mais dinâmica e novo progresso à Estância.”