tipo Arraiolos
Além dos bordados de Tibaldinho ou de Alcafache, outra expressão artesanal tem relevo na Freguesia: os bordados tipo Arraiolos.
Ana Maria, em Tibaldinho (2011)
 

Começaram a ser feitos na vizinha vila de Nelas por volta de 1920, pela filha de um notário. A senhora do Solar da Quinta de Santa Eufémia, em Tibaldinho,  tinha em Nelas uma prima e através dela tomou contacto com a novidade que na altura eram os “Arraiolos”. Anos mais tarde, no início da década de 40, entre 1942 e 1945, a senhora começou a fazer esse tipo de bordados no seu Solar em Tibaldinho.

A filha, Maria de Lurdes Sacadura Botte, cedo se interessou pela arte e a ela se fica a dever o grande desenvolvimento do bordado tipo Arraiolos em Tibaldinho e na Freguesia de Alcafache.

Qual a origem dos Bordados de Arraiolos ?

No seu livro "História dos Tapetes de Arraiolos" (1983), Fernando Baptista de Oliveira responde.

"O ponto de arraiolos é uma variante do vulgar ponto de cruz e foi praticado desde há muitos séculos, em vários países da Europa, onde se tornou conhecido por diferentes nomes, principalmente com o nome de ponto de trança eslavo.

"São bastantes as referências conhecidas que atestam a antiguidade do ponto de cruz e dos pontos seus derivados, incluindo aquele que chamamos de arraiolos. Citamos, a seguir, duas dessas referências.

"No livro de língua inglesa «NEEDLEWORK STITCHES», página 63, ao lado do esquema demonstrativo do ponto exactamente igual ao de Arraiolos, lê-se:

Ponto de Cruz oblíquo ou entrelaçado eslavo

"Um ponto trabalhado rapidamente para cobrir largas áreas. Era usado, em vez do ponto de cruz, nos primeiros trabalhos de Assis e numa técnica semelhante nos bordados marroquinos.

"No livro de língua espanhola «EL ARTE DE BORDAR», aprovado pelo ministério da educação nacional de Espanha, nas páginas 127 e 128, escreveu-se o seguinte, sobre o ponto cruzado e os seus derivados:
«... um dos mais antigos, conhecido e praticado em todos os tempos e em todo o mundo. Ao ponto de cruz se devem magníficas obras de arte árabes, espanholas, italianas, eslavas, etc., e serve para adorno e complemento dos diferentes estilos de bordado. O bordado de ponto de cruz tem duas técnicas. A primeira é a que utilizando a tela como fundo, o bordado somente cobre os motivos do desenho, e na segunda, tanto os motivos como os fundos, fica tudo coberto de bordados, destacando-se os coloridos que previamente foram escolhidos. Esta técnica denomina-se bordado sobre o canhamaço e bordados compactos, estes últimos de marcada estirpe mourisca, como demonstram os tapetes, panos de mesa e outros que se conservam, os quais recordam os que se fabricam em Fez e Granada, com idêntica técnica no colorido e no desenho. Ao ponto de cruz se atribui a paternidade da variadíssima colecção dos chamados pontos de tapeçaria, os quais se trabalham sobre canhamaço com a mesma técnica e com variações mais ou menos parecidas com o citado ponto de cruz.»

"As referências que atrás transcrevemos estão, na realidade, confirmadas pela existência dos próprios bordados antigos. O mais antigo destes trabalhos que conseguimos observar e que pode ser visto em Espanha, na catedral de Astorga, está atribuído ao século XII, pelos investigadores espanhóis."

Fernando Baptista de Oliveira