Tradições
Conheça ORAÇÕES, REZAS, LENDAS E JOGOS tadicionais.

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Orações a Santa Bárbara
 
SANTA BÁRBARA PEQUENINA
 
Santa Bárbara pequenina,
está com a torrinha na mão,
está pedindo ao Senhor
que nos livre do trovão.
 
Santo António se alevantou,
seu cajadinho tomou,
ao caminho se botou,
Santa Bárbara encontrou
e lhe perguntou:
 
- Onde vais Bárbara?
- Vou ao Céu espalhar trovoadas
que andam muito armadas.
- Então vai e espalha-as
por onde não houver pão nem vinho,
 nem bafo de menino,
nem asa de passarinho.
 
No final da Oração rezava-se um Pai Nosso e uma Avé Maria.
 
 
SANTA BÁRBARA BENDITA
 
Santa Bárbara bendita,
que no Céu está inscrita,
espalhai as trovoadas
para onde não dê prejuízo
e onde não haja
eira nem beira.
 
 
COM UM RAMINHO DE ÁGUA BENTA
 
Santa Bárbara bendita
que no Céu está inscrita,
com um raminho de água benta,
Nosso Senhor nos livre desta tormenta,
magnifica a minha alma 3 vezes
contista, contista, contista.
 
 
Oração a Santa Madalena
 
Pai Nosso pequenino,
quando Deus era menino,
tinha as chaves do Paraíso,
que lhas deu, quem lhas daria,
foi a Santa Madalena,
cruz em monte, cruz em fonte,
numes o diabo que se encontre,
nem de noite, nem de dia,
nem à hora do meio-dia,
já os anjos cantam,
já Nosso Senhor vai para a cruz,
para sempre Amén Jesus.
 
 
"Trevoadas" de São Gregório
 
Rezava-se quando trovejava:
 
São Gregório se levantou,
seu carreirinho tomou,
lá no meio Jesus Cristo encontrou:
- Para onde vais São Gregório?
- Vou espalhar as trevoadas
  que no céu andam armadas.
- Espalha-as lá para bem longe,
  onde não haja eira nem beira,
  nem pé de figueira,
  nem galos a cantar,
  nem galinhas a cacarejar,
  nem padre que diga missas,
  nem ninguém que as ouça,
  para sempre, Amén!
 
 
.                                         REZAS                                      .

Rezar à “espinhela caída”

“Reza” popular para tirar as dores:

“José se tens o teu corpo torcido, ou rendido ou fora do seu lugar, assim como são as pessoas da Santíssima Trindade que é Pai, Filho e Espírito Santo, são três pessoas realmente distintas e um só Deus verdadeiro e Santíssimo Sacramento do Altar que te leve o corpo ao seu lugar”.

Reza um Pai Nosso, uma Avé Maria, uma Salvé Rainha e um Credo. Isto durante três dias; lavar as mãos e a cara; só ao fim de três dias pode tomar banho.

 

Cortar o ar às pessoas

Receita popular para situações de má disposição:

Antes de nascer o sol, no primeiro sábado de lua nova tem que ir por um caminho e vir por outro, tudo em jejum. Tem de tirar um pouco de cabelo atrás da orelha e cortar dos vinte dedos um pouco de cada unha. Tem de ser junto a um rio. Quando estiver ao pé do rio, as palavras que se dizem são:

“O sol nasce da serra e põe-se no mar todo o mal, que a criança ou o adulto que tiver aqui venho deitar”.

Deitar para as costas e deitar para a água, mas não podes ver deitar o cabelo e os pedaços das unhas.

 (por Luiza Loureiro)

 

Rezar “ao cobrante”

Outra receita popular para a má disposição:

Água com pouco azeite num prato. Depois diz-se: “Fulano um que te deu, e três que te tirará é o Senhor, a Senhora e o São João Baptista, são estas pessoas distintas de um só Deus verdadeiro”. 3 Pais Nossos, 3 Avé marias, 3 Salvé Rainhas e 1 Credo.

Para se saber se tem cobrante, o azeite não fica junto; mas se se separar uma só única bolha, já tem cobrante.

(por Luiza Loureiro)

 

Rezar “à pessonha”

“Reza” popular para males nos lábios:

“Vinde Deus e Mateus, uma fonte luminar, disse Deus para Mateus: “Corta-me este brilho Mateus com água da fonte e cércia do monte e freixo do monte, sal da marinha e cércia do mar”. Reza 3 Pais Nossos, e Avés Marias, 3 Salvé Rainhas e 1 Credo.

Com nove pontas de erva doce, pega em três pontas de erva e põe-se em cima da pessonha. Depois de ter dito esta reza, põem-se as nove pontas de erva em azeite. Nunca fechar a roda com as ervas.

 (por Luiza Loureiro)

 

.                                         LENDAS                                    .

Lenda do lobishomem

Dizia-se que quem tivesse 9 filhos homens ou mais… tinha um lobishomem, isto é, um dos 9 rapazes era um lobishomem. Por volta da meia noite, este saía em figura animal e corria pelas ruas.

Para que perdesse esse condão, um familiar teria de o esperar no dia e na hora em que ele lhe passasse à porta e tinha que o picar com uma “aguilhada” até deitar sangue. A vara era a mesma com que se “tocavam” os bois, de madeira e com um “ferrão”, ou bico metálico, na ponta mais fina.

 

.                                         JOGOS                                     .

18 jogos tradicionais

Num trabalho realizado no ano lectivo 2003-2004, o grupo “Os Descobridores” (Gonçalo Peixoto, Filipe Silva, Orlando Lopes e Luís Costa) do Agrupamento de Escolas de Gomes Eanes de Azurara, em Mangualde, descreve os seguintes dezoito jogos tradicionais: Cabra Cega, Macaca, Malha, Vara, Tracção com corda em linha, Péla à parede, Corrida de sacos, Lencinho, Anel, Bola, Botão, Carica, Saco, Berlinde ou bilas, Andas, Colher com um ovo, Pau ao panco e Cantinhos.

Pode ler as descrições em Jogos Tradicionais

 

Outros jogos

JOGO DO PÚCARO

Os púcaros eram suspensos, presos pela asa, normalmente numa corda ou num cordel. Com um pau na mão e de olhos vendados, o concorrente tentava partir o púcaro, onde por vezes se encontrava um prémio e noutras… uma malandrice.

JOGO DA BILHARDA

Utiliza-se um pequeno pau, de cerca de 10 cm, que se faz saltar por meio de outro pau mais comprido, de modo que o primeiro caia dentro de um círculo traçado no chão.

JOGOS DO BERLINDE

Um deles consiste em projectar o berlinde através de um toque do dedo médio ou do indicador em direcção ao do adversário tentando acertar-lhe. Quando isto acontece vão-se somando os pontos, normalmente três por cada toque, até se atingir o limite pré estabelecido, que é variável.

Noutro jogo – o “jogo à cova” - o objectivo é introduzir o berlinde em pequenas covas previamente escavadas no solo e que se podem apresentar em número variável. Pode-se jogar apenas com uma cova ou com várias (ou até colocadas em linha, em triângulo ou em quadrado). O jogador pode alternar a introdução do berlinde nas covas ou afastar os berlindes adversários através de um embate (castanha) provocado pelo seu berlinde dificultando assim a acção aos adversários. No final do jogo o adversário vencido tem que pagar um berlinde ao vencedor.

JOGOS DO PIÃO

Depois de envolvido com o baraço, a partir do topo ou do bico, o pião é lançado ao chão com o objectivo de o colocar a girar durante o maior tempo possível.

Outro jogo consiste em lançar o pião por forma a retirar de um círculo os piões dos outros jogadores.

Noutra forma de jogar, o próprio baraço é utilizado para retirar o pião, ainda em movimento rotativo, de dentro do círculo.

Ainda se pode fazer outro jogo: colocar o pião a girar na palma da mão.
 

JOGO DO FEIJÃO

Os participantes começam por fazer um pequeno buraco no chão, no qual cada um coloca 5 feijões. Depois afastam-se para cerca de 2 m do referido buraco e um deles lança o primeiro feijão; se este cair dentro do buraco,  o lançador fica com os outros feijões que lá se encontram. Se não cair, o jogo continua até que um dos jogadores acerte no buraco.