Economia
Na actividade económica da Freguesia, destaque para as vinhas e o vinho. Mais de 400 viticultores criam nas nossas terras uma das maiores riquezas da região.
A vinha é uma das riquezas da Freguesia de Alcafache
 
 
Grande parte da população de Alcafache centra as suas actividades no sector primário, onde a agricultura ocupa o lugar cimeiro. Desde sempre os habitantes souberam aproveitar as potencialidades destas terras, semeando, tratando e colhendo os frutos do seu trabalho. Actualmente, destaca-se a fruticultura de espécies como a uva, o pessegueiro, a oliveira, a cerejeira, o castanheiro, a pereira e a macieira, cujas elevadas produções se destinam à venda no mercado interno.
 
Além do cultivo da vinha e da produção de vinho, há a salientar o cultivo de bens de subsistência, como a batata, o feijão, o milho e legumes.
 
Ainda no que se refere ao sector primário, verifica-se a prática da pecuária, existindo na região alguns rebanhos de ovelhas, de cujo leite se fabrica o famoso e delicioso queijo DOP “Serra da Estrela”.
 
Segundo Alberto Trindade Martinho (in “O Queijo da Serra”, 1980, edição da Comissão de Coordenação da Região Centro, pág. 41), a evolução do efectivo de ovelhas na freguesia de Alcafache foi a seguinte, de 1940 a 1980:
 
1980 - 393
1972 - 303
1955 - 300
1940 - 808
 
Em finais de 2011, o efectivo estava calculado em cerca de 400 animais, praticamente todos da raça Bordaleira Serra da Estrela.
 
No sector secundário, a construção civil e a metalomecânica assumem já um papel relevante na economia local.
 
O sector terciário, representado pelos estabelecimentos comerciais, pelos serviços e pelo turismo, dá igualmente um importante contributo para o desenvolvimento económico da freguesia.
 
 
À esquerda, a casa da Quinta da Igreja, que fica frente à igreja paroquial; à direita, a casa da Quinta das Poldras, na margem do rio Dão.
 
 
O vinho
 
No que se refere a uvas e a vinho, esta freguesia integra a Sub-Região de Terras de Azurara - formada apenas pelo município de Mangualde - da centenária Região Demarcada do Dão. Na Freguesia de Alcafache cerca de 431 viticultores produzem uva em abundância em 299,4 hectares de vinha. A uva costuma ser entregue na Adega Cooperativa de Mangualde e na empresa Sogrape, havendo muitos vitivinicultores que produzem  e vinificam para consumo próprio.
 
Além da Terras de Azurara, na Região Vitivinícola do Dão estão individualizadas – por produzirem vinhos com uma personalidade própria – outras sub-regiões: Alva, Besteiros, Castendo, Serra da Estrela, Silgueiros e Terras de Senhorim.
 
Esta região produz, maioritariamente, Vinhos Tintos caracterizados por possuírem um teor alcoólico médio de 12ºC, uma inimitável coloração rubi, corpo redondo e consistência aveludada na boca.

Convenientemente envelhecidos tornam-se mais macios e suaves, ao passo que a coloração rubi toma subtis reflexos atijolados, adquirindo, então, um esplendoroso "bouquet" e um final longo.

Já os Vinhos Brancos – também com um teor alcoólico médio de 12ºC – possuem, quando jovens, uma bela cor citrina, aromas frutados relativamente complexos, mas delicados, são frescos na boca e têm um final delicado e elegante.

Caracterizam-se, ainda, por terem a rara faculdade de envelhecer de uma forma nobre e harmoniosa.

Os Vinhos Tintos e alguns Vinhos Brancos estão sujeitos a estágio mínimo obrigatório de duração diversa, em função da sua denominação e menções tradicionais qualificativas que, nos vinhos tintos, pode chegar aos 48 meses, antes de serem comercializados.

Os vinhos DOP Dão mais prestigiados são produzidos e/ou engarrafados por produtores-engarrafadores e pelas principais empresas que "trabalham" os mesmos.

A Comissão Vitivinícola Regional do Dão é o organismo que controla e pro globalmente os vinhos DOP Dão.

Para tal – no tocante ao controlo – fornece selos de garantia apropriados (apostos à "cavaleiro" no gargalo da garrafa ou em contra-rótulo) aos engarrafadores autorizados e emite um certificado de Origem Regional que acompanha, sempre, os vinhos expedidos para a União Europeia e exportados para países terceiros. Relativamente à promoção, realiza acções de divulgação não só em Portugal, mas também junto dos principais países importadores, estando presente com "stand" próprio em feiras e certames especificamente vinícolas, realizados nesses países.

 

A Adega Cooperativa de Mangualde

Grande parte da uva produzida na Freguesia de Alcafache é entregue pelos viticultores na Adega Cooperativa de Mangualde.

Foi em 1963 que um grupo de agricultores da região decidiu fundar uma cooperativa que resolvesse os problemas de laboração das suas uvas e da comercialização dos seus vinhos. Assim, no dia 4 de Dezembro de 1963, foi constituida a Adega Cooperativa de Mangualde S.C.R.L.

Em 1972, segundo os dados oficiais divulgados, a adega tinha sede própria e laborava pela primeira vez as uvas dos seus associados, aproximadamente meio milhão de quilos.

Sem recurso a apoios estatais foram os cooperantes responsáveis por todos os capitais que ali se investiram.

No princípio da década de noventa deu-se início a todo um processo de transformação e evolução desta Adega. Pela primeira vez recorreu a fundos estatais, tendo sido construído um centro de vinificação e estabilização para vinhos tintos. Em 1993 foi contratado pessoal qualificado e o laboratório foi equipado com material sofisticado para a época. No ano de 1994 começou o engarrafamento próprio de alguns dos vinhos, operação que se fazia na UDACA - União das Adegas Cooperativas do Dão.

Em 1995, sem qualquer apoio financeiro, com o aumento nas vendas dos engarrafados, a direcção de então decidiu investir numa linha de engarrafamento.

Em 1997 foi criada a Rota dos Vinhos do Dão. A Adega Cooperativa de Mangualde foi a primeira cooperativa a ser apreciada positivamente pela comissão técnica que liderou o processo. Admitidos na Rota, a direcção decidiu criar uma garrafeira e um salão de cascos. Posteriormente, em 1999, foi inaugurado um salão de festas destinado ao enoturismo. No ano de 2001 foi iniciada a edificação de um Centro de Vinificação com capacidade para vinificar 5000 toneladas em 15 dias, utilizando a tecnologia disponível. No mesmo ano procedeu-se a uma remodelação dos escritórios, à construção de um armazém e à inauguração de uma loja destinada à venda dos vinhos da Adega e produtos regionais. 

Actualmente a Adega pode proporcionar aos enoturistas uma visita pelo interior das instalações, desde a garrafeira, ao salão de cascos, até às imediações do centro de vinificação, onde se procede a uma breve explicação desde o percurso das uvas até ao fabrico do vinho. Na loja-bar os visitantes podem degustar os vinhos ali produzidos, juntamente com enchidos da Beira Alta e queijo da Serra da Estrela.